Teus olhos navegando em lágrimas tão densas quanto as águas do mar a nossas costas.
Meu coração em turbulência, sucumbindo a tua dor.
Se eu fosse um cobertor, te cobriria por inteiro e enxugaria cada lágrima tua, diante da impossibilidade de impedi-las de nascer.
E faria do meu corpo um abrigo para o frio que sentias.
Te faria de todas as raízes que ali tinham uma coroa, e te coroaria rei absoluto do meu mundo.
Te diria todas as palavras que perfuravam minha garganta e me impediam de pronuncia-las.
De grama ressecada fiz-te em forma de círculo uma metade de mim e dei-te para que nunca esqueças, que não importa o que fores, ou o que faças, serei eu metade de tudo.
Segurarei tua mão, te abraçarei, e direi-te mil vezes que te amo.
Por ti sou inteira e sou mais.
Se você precisasse de uma casa eu a construiria pra ti, te ensinaria a cuidar de todas as flores do nosso jardim.
Se eu fosse uma rainha, daria todo meu império, minhas fortalezas, meus guerreiros, minha frotas - tudo por um sorriso teu.
Te alimentaria com maçãs que brotariam de minhas mãos apenas para matar tua fome, e choraria lágrimas de felicidade por te ter para matar tua sede.
Por ti eu acreditaria em todas as forças do mundo, se alguma delas me explicasse como tu chegastes a mim, e construiria para cada uma delas um
altar em agradecimento.
Tu que me ensinaste a entender a beleza de tudo, de existir, e o que é ser feliz, porque sem ti eu nunca entenderia.
Sem você não tem caminho nenhum, nem sequer pegadas no chão para seguir, o brilho dos teus olhos me abrem todos os caminhos, e com tuas mãos e pés me ensinas a caminhar pelo teu céu.
Mais do que me ensinar o que é o amor, me ensinastes a amar.
E se tu quisesses ser um passáro para voar longe, eu cobriria meu corpo inteiro de penas, criaria asas e te diria que se você fosse um passáro eu também queria ser um, te daria as mãos e te acompanharia aonde quer que fosses, meu amor.
Sem você meu amor, eu não sou ninguém.
mercredi 20 août 2008
mercredi 2 juillet 2008
Prece poética para olhos de tormenta
Seus olhos reluziam mais que os diamantes ostentosos sustentados por seus dedos marcados pela vida.
Eles eram como duas estrelas perdidas num céu tão negro quanto sua alma que tardava a ver a luz do dia.
Sua vida deixou marcas tão profundas na vida dos que a amavam, quanto aquelas marcas desenhadas pelo peso da noite.
Madrugadas frias, embriagadas de toda a dúvida, comoção, corroída por arrependimentos tão grandes quanto aqueles que sentem os que pagam por eles atrás de grades.
E ela sentia-se tão livre do alto do décimo quinto andar, quanto jamais seria nas poltronas luxuosas do lugar ao qual chamava de lar.
Lar aquele onde não morava seu coração, e sim outro, muito distante dali.
O lar que pariu a ela toda.
Tudo que ela se tornara então, fora fruto do lar do qual sequer se lembrava existir, cuja única lembrança dele eram as marcas que ele deixara.
Pela manhã, abria suas cortinas de veludo vermelho que velavam sua dor, encarava o sol - sua platéia única - e escorregava a mão pelo tão caro veludo que fora tingido com seu próprio sangue.
Representava ele assim, toda sua vida: o que de belo ela possuía fora de si, havia sido pago com cada uma de suas veias que foram arrancadas de uma única vez de seus pulsos já então revestidos de ouro.
E assim ela sorria ao olhar o sol, mesclando uma alegria infantil com a melancolia daqueles que já possuem conhecimento do pouco tempo que lhe resta.
Ela nunca esteve doente, e nisso eu acredito com a força de toda minha vida.
Nasceu já doente sua alma, doente terminal das agruras do mundo, como todos aqueles que não nascem preparados para a vida - e ela não nasceu.
Nos lençóis cheios de sangue, na dor de sua mãe, nos sorrisos de seus irmãos, e na embriaguez de seu pai, ela esculpiu o desenho de tudo aquilo que seria - doente terminal em tentar entender a vida.
Sua paz refugiava-se em repousar entre os desvalidos, nos órfãos, nos fracos, nos que assim como ela, não possuíam colo, que foram amados por desvio.
Por seu seio ela poderia fazer jorrar o leite que amamentaria cada um dos órfãos do mundo e eu acredito ter sido esse seu maior desejo em toda vida: alimentar almas mais desamparadas que a sua.
Suas palavras explosivas, desordenadas e cheias de mágoa procuravam por algo que jamais saberei explicar, mas que no fundo entendo.
Buscava ela, apenas acalmar as tormentas do mar de seu corpo e alma, para impedir que seu coração - um frágil navio - naufragasse lentamente.
Ela era aquela na proa do navio, a que urrava palavras de socorro.
Suas peles com espinho eram um disfarce - agora vejo - pra tudo o que ela realmente queria ser, e era: boa como água límpida para os que morrem de sede.
Não sabia apenas lidar com a seca, com a solidão e a aridez extrema que corroem aqueles que tudo querem entender e não conseguem, nem jamais conseguirão.
Ela era boa e de tanto ser, não conseguia.
Transparecia apenas dor, e sem querer explodia com tudo ao seu redor, pra ver algo desmoronar além dela mesma.
E eu faço assim minha pesada confissão por tanto tempo guardada - que eu a enxergava com os olhos que ela sempre quis - aqueles que ninguém a via.
E no alto do céu para o qual todos os dias ergo meu olhos, falo a ela com toda verdade que há em mim: espero que tenhas encontrado a paz e que saiba que eu sempre a amei.
Eles eram como duas estrelas perdidas num céu tão negro quanto sua alma que tardava a ver a luz do dia.
Sua vida deixou marcas tão profundas na vida dos que a amavam, quanto aquelas marcas desenhadas pelo peso da noite.
Madrugadas frias, embriagadas de toda a dúvida, comoção, corroída por arrependimentos tão grandes quanto aqueles que sentem os que pagam por eles atrás de grades.
E ela sentia-se tão livre do alto do décimo quinto andar, quanto jamais seria nas poltronas luxuosas do lugar ao qual chamava de lar.
Lar aquele onde não morava seu coração, e sim outro, muito distante dali.
O lar que pariu a ela toda.
Tudo que ela se tornara então, fora fruto do lar do qual sequer se lembrava existir, cuja única lembrança dele eram as marcas que ele deixara.
Pela manhã, abria suas cortinas de veludo vermelho que velavam sua dor, encarava o sol - sua platéia única - e escorregava a mão pelo tão caro veludo que fora tingido com seu próprio sangue.
Representava ele assim, toda sua vida: o que de belo ela possuía fora de si, havia sido pago com cada uma de suas veias que foram arrancadas de uma única vez de seus pulsos já então revestidos de ouro.
E assim ela sorria ao olhar o sol, mesclando uma alegria infantil com a melancolia daqueles que já possuem conhecimento do pouco tempo que lhe resta.
Ela nunca esteve doente, e nisso eu acredito com a força de toda minha vida.
Nasceu já doente sua alma, doente terminal das agruras do mundo, como todos aqueles que não nascem preparados para a vida - e ela não nasceu.
Nos lençóis cheios de sangue, na dor de sua mãe, nos sorrisos de seus irmãos, e na embriaguez de seu pai, ela esculpiu o desenho de tudo aquilo que seria - doente terminal em tentar entender a vida.
Sua paz refugiava-se em repousar entre os desvalidos, nos órfãos, nos fracos, nos que assim como ela, não possuíam colo, que foram amados por desvio.
Por seu seio ela poderia fazer jorrar o leite que amamentaria cada um dos órfãos do mundo e eu acredito ter sido esse seu maior desejo em toda vida: alimentar almas mais desamparadas que a sua.
Suas palavras explosivas, desordenadas e cheias de mágoa procuravam por algo que jamais saberei explicar, mas que no fundo entendo.
Buscava ela, apenas acalmar as tormentas do mar de seu corpo e alma, para impedir que seu coração - um frágil navio - naufragasse lentamente.
Ela era aquela na proa do navio, a que urrava palavras de socorro.
Suas peles com espinho eram um disfarce - agora vejo - pra tudo o que ela realmente queria ser, e era: boa como água límpida para os que morrem de sede.
Não sabia apenas lidar com a seca, com a solidão e a aridez extrema que corroem aqueles que tudo querem entender e não conseguem, nem jamais conseguirão.
Ela era boa e de tanto ser, não conseguia.
Transparecia apenas dor, e sem querer explodia com tudo ao seu redor, pra ver algo desmoronar além dela mesma.
E eu faço assim minha pesada confissão por tanto tempo guardada - que eu a enxergava com os olhos que ela sempre quis - aqueles que ninguém a via.
E no alto do céu para o qual todos os dias ergo meu olhos, falo a ela com toda verdade que há em mim: espero que tenhas encontrado a paz e que saiba que eu sempre a amei.
jeudi 8 mai 2008
Encerando o chão
Sinto inveja daquelas meninas pálidas, protegidas por vestidos de cetim e meias calças, Com os cabelos expostos ao vento frio que desnuda suas carnes, com os olhos plúmbeos de saudade da casa que nunca tiveram.
Invejo aqueles garotos perdidos em suas dúvidas, em seus jogos infantis e nos seios das moças. Eles distraem-se da ausência de sonhos tombando contra amores vãos, escrevendo cartas e poemas - eles querem aprender a amar.
Acomodo sempre meus ombros, meus pesos, onde quer que possa apoiá-los, porque o ambiente afinal não me faz diferença.
Passeio entre as almas pelas quais não sinto afeto nenhum. Nenhum.
Não saberias explicar se quisesse, mas sou assim desde que me lembro.
Não consigo me afeiçoar.
Mamãe me fazia tortas de morango quando eu era pequeno, e eu agradecia.
Papai me ensinava coisas que um homem deveria saber, e eu agradecia.
Mas eu não os amava.
Apenas sentia-me no dever de os agradecer por me servirem de favores dos quais eu nunca pedi.
Pessoas são como mercadorias caras ou baratas, velhas, novas ou usadas.
O grande problema talvez, seja que as pessoas não tem sentimentos.
Eu não tenho. Eu sei que não tenho.
Sou frio de alma desde que tenho memória suficiente pra me lembrar.
Por isso construo relações simples. Sou complexo demais.
Os desesperadamente medíocres de espírito e intelectualidade tudo complicam, é necessário talvez tentar dar sentido, eu quase posso os entender.
Mas eu sei que as pessoas não são movidas a sentimentos.
Ao menos não da forma que eu posso entender.
Bípedes possuem desejos e essa é a força de atração primeira entre um e outro.
E os desejos nascem dos interesses.
Eu me interessaria em apaixonar-me por uma garota se eu tivesse necessidade de afeto, e buscaria que ela me desse algum, e em troca eu lhe daria também.
Mas como não me afeiçôo por ninguém, também não preciso de afeto, então não sou cortês o suficiente para despertar paixões.
Apenas faço gentilezas as damas para que me cedam uma noite a sós com suas vergonhas a mostra e a serviço.
Certa vez, quase fiquei amigo de meu colega de quarto, porque penso que as vezes seria bom ter alguém pra reclamar por aqui onde tudo me aborrece, mas depois de pesar achei que não valia o esforço.
Outra vez, uma garota se aproximou de mim na aula de latim, com muitas manhas sutis jogando os cabelos para trás e eu já sabia que ela queria algo.
Mas não podia eu ter me calado? poderia ter feito dela uma amiga, uma namorada, quem sabe até uma companheira de noites de solidão sexual.
Eu sempre acabo sentindo nojo, eu não consigo evitar.
Eu nunca enxergo pessoas e sim o que elas querem de mim.
Talvez eu seja desconhecido demais das coisas do mundo.
Eu não sei do que sei, mas acho que tenho certeza que é assim, pois são as verdades que eu conheço.
E afinal de contas, não estou interessado em outras, pois só me serviriam para contato humano que não desejo.
Acho que por ter sido meu irmão abortado, aquele que eu nunca tive e que nada me exigiu, aquele cujos os olhos nunca vi desejos ou dúvidas e que pra mim nada foi além de massa cinza e podre encharcada de sangue, que se eu tivesse alguém a quem poderia amar, teria sido ele, simplesmente pelo fato de que ele nunca foi.
Invejo aqueles garotos perdidos em suas dúvidas, em seus jogos infantis e nos seios das moças. Eles distraem-se da ausência de sonhos tombando contra amores vãos, escrevendo cartas e poemas - eles querem aprender a amar.
Acomodo sempre meus ombros, meus pesos, onde quer que possa apoiá-los, porque o ambiente afinal não me faz diferença.
Passeio entre as almas pelas quais não sinto afeto nenhum. Nenhum.
Não saberias explicar se quisesse, mas sou assim desde que me lembro.
Não consigo me afeiçoar.
Mamãe me fazia tortas de morango quando eu era pequeno, e eu agradecia.
Papai me ensinava coisas que um homem deveria saber, e eu agradecia.
Mas eu não os amava.
Apenas sentia-me no dever de os agradecer por me servirem de favores dos quais eu nunca pedi.
Pessoas são como mercadorias caras ou baratas, velhas, novas ou usadas.
O grande problema talvez, seja que as pessoas não tem sentimentos.
Eu não tenho. Eu sei que não tenho.
Sou frio de alma desde que tenho memória suficiente pra me lembrar.
Por isso construo relações simples. Sou complexo demais.
Os desesperadamente medíocres de espírito e intelectualidade tudo complicam, é necessário talvez tentar dar sentido, eu quase posso os entender.
Mas eu sei que as pessoas não são movidas a sentimentos.
Ao menos não da forma que eu posso entender.
Bípedes possuem desejos e essa é a força de atração primeira entre um e outro.
E os desejos nascem dos interesses.
Eu me interessaria em apaixonar-me por uma garota se eu tivesse necessidade de afeto, e buscaria que ela me desse algum, e em troca eu lhe daria também.
Mas como não me afeiçôo por ninguém, também não preciso de afeto, então não sou cortês o suficiente para despertar paixões.
Apenas faço gentilezas as damas para que me cedam uma noite a sós com suas vergonhas a mostra e a serviço.
Certa vez, quase fiquei amigo de meu colega de quarto, porque penso que as vezes seria bom ter alguém pra reclamar por aqui onde tudo me aborrece, mas depois de pesar achei que não valia o esforço.
Outra vez, uma garota se aproximou de mim na aula de latim, com muitas manhas sutis jogando os cabelos para trás e eu já sabia que ela queria algo.
Mas não podia eu ter me calado? poderia ter feito dela uma amiga, uma namorada, quem sabe até uma companheira de noites de solidão sexual.
Eu sempre acabo sentindo nojo, eu não consigo evitar.
Eu nunca enxergo pessoas e sim o que elas querem de mim.
Talvez eu seja desconhecido demais das coisas do mundo.
Eu não sei do que sei, mas acho que tenho certeza que é assim, pois são as verdades que eu conheço.
E afinal de contas, não estou interessado em outras, pois só me serviriam para contato humano que não desejo.
Acho que por ter sido meu irmão abortado, aquele que eu nunca tive e que nada me exigiu, aquele cujos os olhos nunca vi desejos ou dúvidas e que pra mim nada foi além de massa cinza e podre encharcada de sangue, que se eu tivesse alguém a quem poderia amar, teria sido ele, simplesmente pelo fato de que ele nunca foi.
dimanche 2 mars 2008
mardi 12 février 2008
Minha poesia se foi
É verdade, minha poesia se foi.
As palavras saem com pressa de existir, tão somente porque já existem e tem sentido, tão naturalmente como uma criança que já sente a vida, mesmo ainda resguardada pelo ventre da mãe, mas ainda assim quer conhecer o mundo lá fora.
E não com esmero de ser criada por belas idealizações, por necessidades artísticas, para atender a um fim, e só assim ganhar significado.
Minha poesia se foi, mas ficou uma melodia que ouço, e me embala os passos, os atos, os sorrisos.
E tu, tu és como todas as notas daquela melodia, que se perde apenas nos ouvidos dos amantes.
Quando ela toca, é apenas ela que se consegue ouvir.
Seus mais de vinte minutos, são todos sentidos pelo uníssono de batimentos do coração.
Ouço tua música enquanto durmo, vejo teus sonhos no escuro.
Sopro-te cores brilhantes aos olhos, e alguma coisa canto-te ao ouvido.
Se pensar em ti for o bastante, serei feliz se sonhares comigo.
As palavras que não dizes, e que não digo são talvez as mais belas que poderiam existir, pois todas elas, tecem um invólucro no meu coração - que bate, que se inflama, para, e volta a bater.
Porque o silêncio não mente.
Minha poesia se foi, porque minhas palavras se foram.
Porque tu és as palavras que eu desejo ouvir, e as que eu desejaria dizer.
Sou privada de minha arte, mas assim sou tão feliz.
Porque vou me aborrecer de não conseguir pintar um quadro com flores? contigo me sinto capaz de semear todas as flores de um jardim.
As palavras saem com pressa de existir, tão somente porque já existem e tem sentido, tão naturalmente como uma criança que já sente a vida, mesmo ainda resguardada pelo ventre da mãe, mas ainda assim quer conhecer o mundo lá fora.
E não com esmero de ser criada por belas idealizações, por necessidades artísticas, para atender a um fim, e só assim ganhar significado.
Minha poesia se foi, mas ficou uma melodia que ouço, e me embala os passos, os atos, os sorrisos.
E tu, tu és como todas as notas daquela melodia, que se perde apenas nos ouvidos dos amantes.
Quando ela toca, é apenas ela que se consegue ouvir.
Seus mais de vinte minutos, são todos sentidos pelo uníssono de batimentos do coração.
Ouço tua música enquanto durmo, vejo teus sonhos no escuro.
Sopro-te cores brilhantes aos olhos, e alguma coisa canto-te ao ouvido.
Se pensar em ti for o bastante, serei feliz se sonhares comigo.
As palavras que não dizes, e que não digo são talvez as mais belas que poderiam existir, pois todas elas, tecem um invólucro no meu coração - que bate, que se inflama, para, e volta a bater.
Porque o silêncio não mente.
Minha poesia se foi, porque minhas palavras se foram.
Porque tu és as palavras que eu desejo ouvir, e as que eu desejaria dizer.
Sou privada de minha arte, mas assim sou tão feliz.
Porque vou me aborrecer de não conseguir pintar um quadro com flores? contigo me sinto capaz de semear todas as flores de um jardim.
lundi 3 décembre 2007
mardi 27 novembre 2007
Por amor as causas perdidas
Abro a porta, levanto, recolho meus sapatos.
Olho rapidamente para trás, teu rosto inexpressivo, deixo os cadarços.
Do amor, só o rastro.
Ando na rua, em direção oposta a do mar - onde gostaria de estar.
Atordoadamente expulso pensamentos de navalha, eles vão embora mas deixam as feridas.
Encontro outros olhos, que nunca encontrei na vida.
Talvez uma razão, uma saída.
Mas só consegue guiar-se por outros olhos aqueles que já perderam os seus.
Ainda não estou tão perdida assim.
As palavras ecoam na minha mente, e formam teias que envolvem meu coração.
Volto a amar a ti ilustre desconhecido, e não àquele pra quem deixei minhas marcas.
Aquele que ouviu meus gritos, e me fez gritar tanto outros, me abraçou para fazer do seu corpo um remédio para minha solitude.
Aquele a quem deixei meu perfume envolver-se em suas narinas, aprisionando os pensamentos, dizendo coisas que não deveriam ser ditas.
Dou todas as pistas para que me conheçam, para quando já tiverem pensando compreender eu faça tudo diferente.
Perco o sinal.
- Alô, alô, alguém pode me escutar?
estou orgulhosamente perdida.
E tudo aqui é vida, tudo aqui brilha.
No entanto os grilhões não cessam de se arrastar no chão frio e imperfeito, me ensurdecendo.
As almas não cessam de me procurar - eu canso de me esconder.
Tento segurar tua mão, não sinto ela segurar, nem se soltar.
Sinto por tudo que tenho de sentir, que não sei explicar.
Como um barco solto no mar.
Os ventos não cessam de sussurar, palavras que tento decifrar.
Olho rapidamente para trás, teu rosto inexpressivo, deixo os cadarços.
Do amor, só o rastro.
Ando na rua, em direção oposta a do mar - onde gostaria de estar.
Atordoadamente expulso pensamentos de navalha, eles vão embora mas deixam as feridas.
Encontro outros olhos, que nunca encontrei na vida.
Talvez uma razão, uma saída.
Mas só consegue guiar-se por outros olhos aqueles que já perderam os seus.
Ainda não estou tão perdida assim.
As palavras ecoam na minha mente, e formam teias que envolvem meu coração.
Volto a amar a ti ilustre desconhecido, e não àquele pra quem deixei minhas marcas.
Aquele que ouviu meus gritos, e me fez gritar tanto outros, me abraçou para fazer do seu corpo um remédio para minha solitude.
Aquele a quem deixei meu perfume envolver-se em suas narinas, aprisionando os pensamentos, dizendo coisas que não deveriam ser ditas.
Dou todas as pistas para que me conheçam, para quando já tiverem pensando compreender eu faça tudo diferente.
Perco o sinal.
- Alô, alô, alguém pode me escutar?
estou orgulhosamente perdida.
E tudo aqui é vida, tudo aqui brilha.
No entanto os grilhões não cessam de se arrastar no chão frio e imperfeito, me ensurdecendo.
As almas não cessam de me procurar - eu canso de me esconder.
Tento segurar tua mão, não sinto ela segurar, nem se soltar.
Sinto por tudo que tenho de sentir, que não sei explicar.
Como um barco solto no mar.
Os ventos não cessam de sussurar, palavras que tento decifrar.
jeudi 26 juillet 2007
Comfortably Numb
Desmaio sobre a grama verde, do parque onde alimentei os passáros com meus nervos.
Lá perdi também minhas emoções, sou o sub-produto de uma existência semi-vazia.
Não ouço nenhum grito de criança. Rogo para não ouvir nenhum.
Minha cabeça permanece como um pêndulo sobre meu corpo que sente-se acorrentado ao chão.
Cada fio de fina grama, tece correntes que se enroscam em meus braços, e isso me impossibilitaria de voar - mas eu não iria tentar mesmo.
Seguro firme a rosa depositada em minha mão direita.
A mais vermelha das rosas, torna-se pouco a pouco branca em minhas mãos rudes.
Sinto cada gota gelada de seu sangue, molhar minhas mãos.
E fico embevecida. Eu a fiz sangrar apenas para me sentir segura.
Ela era o único elemento real entre eu e o chão.
Eu a fiz sangrar por mim.
E nunca me perdoarei por isto - embora isto não tenha tanta importância.
Seguro com força a minha rosa, e não consigo mais ver quanto estrago causei.
Mas não poderei soltá-la ainda.
Pois o mundo ainda tenta me puxar um pouco mais pra baixo.
Ergo os olhos para o céu, como que atravessando uma passagem para um novo mundo, que contém algo além de apenas eu e minha dor.
O céu brilha como um enorme diamante azul, imperdoavelmente sem nenhuma nuvem.
É como as primeiras pinceladas de uma tela, tão mais bonita por não ter nenhum compromisso de ser nada ainda, senão apenas ser.
Apenas azul, apenas tela. Límpida e simples.
Como esse dia que eu deveria amar, mas não posso.
Ele me tornou tão estática no sentir dos meus medos.
Medos esses que não tento enfrentar.
Não me sinto fraca agora - embora deveria - mas é questão de horas.
O martelo bate algumas vezes antes de conseguir quebrar.
Meu vazio interior se reflete como feixes de luz clara, e vejo-o com um incompreensível sentimento de adoração.
Quase apocalíptica.
Quase inteiramente eu.
Lá perdi também minhas emoções, sou o sub-produto de uma existência semi-vazia.
Não ouço nenhum grito de criança. Rogo para não ouvir nenhum.
Minha cabeça permanece como um pêndulo sobre meu corpo que sente-se acorrentado ao chão.
Cada fio de fina grama, tece correntes que se enroscam em meus braços, e isso me impossibilitaria de voar - mas eu não iria tentar mesmo.
Seguro firme a rosa depositada em minha mão direita.
A mais vermelha das rosas, torna-se pouco a pouco branca em minhas mãos rudes.
Sinto cada gota gelada de seu sangue, molhar minhas mãos.
E fico embevecida. Eu a fiz sangrar apenas para me sentir segura.
Ela era o único elemento real entre eu e o chão.
Eu a fiz sangrar por mim.
E nunca me perdoarei por isto - embora isto não tenha tanta importância.
Seguro com força a minha rosa, e não consigo mais ver quanto estrago causei.
Mas não poderei soltá-la ainda.
Pois o mundo ainda tenta me puxar um pouco mais pra baixo.
Ergo os olhos para o céu, como que atravessando uma passagem para um novo mundo, que contém algo além de apenas eu e minha dor.
O céu brilha como um enorme diamante azul, imperdoavelmente sem nenhuma nuvem.
É como as primeiras pinceladas de uma tela, tão mais bonita por não ter nenhum compromisso de ser nada ainda, senão apenas ser.
Apenas azul, apenas tela. Límpida e simples.
Como esse dia que eu deveria amar, mas não posso.
Ele me tornou tão estática no sentir dos meus medos.
Medos esses que não tento enfrentar.
Não me sinto fraca agora - embora deveria - mas é questão de horas.
O martelo bate algumas vezes antes de conseguir quebrar.
Meu vazio interior se reflete como feixes de luz clara, e vejo-o com um incompreensível sentimento de adoração.
Quase apocalíptica.
Quase inteiramente eu.
Inscription à :
Articles (Atom)